Foi publicado na Revista da Faculdade de Direito da UFMG, em coautoria com Michael Guedes, o artigo “Memória, deficiência cognitiva e decisão judicial: reconsiderando o testemunho na demência do tipo Alzheimer”.
O trabalho investiga a confiabilidade do testemunho de pessoas com Alzheimer no contexto judicial, questionando a presunção de que o diagnóstico de uma deficiência cognitiva seja suficiente para afastar, de maneira geral, a capacidade da pessoa de contribuir para o conhecimento dos fatos em um processo.
Partindo de uma compreensão não unitária da memória e considerando o caráter progressivo e heterogêneo da doença de Alzheimer, o artigo examina diferentes dimensões da experiência da memória e as capacidades que podem permanecer preservadas ao longo do desenvolvimento da doença. A análise estabelece um diálogo entre fenomenologia, estudos sobre deficiência e epistemologia da prova, buscando compreender as consequências dessa abordagem para a avaliação jurídica do testemunho.
A reflexão propõe, assim, superar concepções binárias de capacidade e incapacidade e considerar de forma contextual a experiência, a corporeidade e as possibilidades de participação da pessoa com Alzheimer, especialmente diante das exigências de reconhecimento e acesso à justiça.
Referência:
BARBOSA-FOHRMANN, Ana Paula; GUEDES, Michael. Memória, deficiência cognitiva e decisão judicial: reconsiderando o testemunho na demência do tipo Alzheimer. Revista da Faculdade de Direito da UFMG, n. 88, 2026, p. 51–76.
Acesso aberto:
Leia o artigo na Revista da Faculdade de Direito da UFMG
New Article: Memory, Cognitive Disability, and Judicial Decision-Making
A new article co-authored with Michael Guedes, entitled “Memória, deficiência cognitiva e decisão judicial: reconsiderando o testemunho na demência do tipo Alzheimer” (Memory, Cognitive Disability, and Judicial Decision-Making: Reconsidering Testimony in Alzheimer’s Dementia), has been published in the Revista da Faculdade de Direito da UFMG.
The article examines the reliability of testimony provided by persons with Alzheimer’s disease in judicial contexts, challenging the assumption that a diagnosis of cognitive disability is, in itself, sufficient to exclude a person’s capacity to contribute to the establishment of facts in legal proceedings.
Drawing on a non-unitary understanding of memory and taking into account the progressive and heterogeneous character of Alzheimer’s disease, the article examines different dimensions of memory and the capacities that may remain preserved throughout the progression of the disease. The analysis brings phenomenology, disability studies, and the epistemology of legal evidence into dialogue, exploring the implications of this approach for the legal assessment of testimony.
The article thus proposes moving beyond binary conceptions of capacity and incapacity toward a contextual understanding of the experience, embodiment, and possibilities for participation of persons with Alzheimer’s disease, particularly in light of the demands of recognition and access to justice.
Reference:
BARBOSA-FOHRMANN, Ana Paula; GUEDES, Michael. Memória, deficiência cognitiva e decisão judicial: reconsiderando o testemunho na demência do tipo Alzheimer. Revista da Faculdade de Direito da UFMG, no. 88, 2026, pp. 51–76.
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